
Acervo de Zedantas
Zedantas foi um grande compositor e médico. Ele nasceu em 1921 na cidade de Carnaíba, Pernambuco e faleceu em 1962. Apesar de saber que seu coração batia pela música, seu pai o obrigou a fazer Medicina, pois para ele ser músico era um ato de malandro e que na sociedade é algo visto como sem importância.
Ainda na sua juventude, foi para o Recife estudar no colégio Americano Batista, e ao terminar o ensino médio com 17 anos, ingressou na faculdade de Medicina e após anos estudando, fez residência em ginecologia-obstetrícia, e posteriormente tornou-se diretor do hospital onde fez a residência, localizado no Rio de Janeiro.
Mesmo vivendo a profissão na área da saúde, Zedantas, não esquecia o lado artístico e com toda sua paixão pela arte, especificamente a música. Desde de muito cedo já compunha xotes, baiões, toadas e escrevia crônicas sobre o folclore brasileiro, onde na época da escola eram editadas pela Revista Formação.
Zedantas e Luiz Gonzaga
Zedantas e Luiz Gonzaga iniciaram uma parceria em 1949, e logo em 1953 a 1957, Zedantas foi um forte participante da discografia de Luiz Gonzaga. Assim, o grande compositor produziu 97 músicas ao longo de toda sua carreira, onde 53 foram interpretadas por Luiz Gonzaga.


Produções
Zedantas, utilizava sua própria linguagem, musicalidade e poesia sertaneja nordestina, com o intuito de descrever a realidade do homem no sertão, e a realidade ecológica e social enfrentada pela sociedade nordestina. Além disso, era um meio de divulgar suas tradições, crenças e valores, que eram desconhecidos em outras regiões. As suas músicas serviram de apoio para protestos já que a realidade nordestina e sertaneja era pouco conhecida pelo restante do Brasil e os governantes que estavam no poder durante as décadas de 50 e 60. Como todo músico, Zedantas das 97 músicas existentes, as mais virais e com mais significado são:
Vem morena
"Vem, morena, pros meus braço
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remexer
No 'resfulengo' da sanfona
Até que o Sol raiar"
Forró de Mané Vito
Em “Vem Morena”, a dança é usada como metáfora para o desejo, a sensualidade e a intimidade. Nos versos repetidos “vem, morena, pros meus braços / vem, morena, vem dançar”, o convite vai além da dança, expressando um chamado para viver o afeto e as sensações do momento.
"Quando o Zeca de Sianinha
Me proibiu de dançar
Seu delegado, sem encrenca
Eu não brigo
Se ninguém bulir comigo
Num sou homem pra brigar
Mas nessa festa
Seu dotô, perdi a carma
Tive que pegá nas arma
Pois num gosto de apanhar"
“Forró de Mané Vito”, uma das primeiras a usar o termo “forró” como gênero musical, retratando o ambiente alegre das festas nordestinas, onde música e dança se misturam com tensão e demonstrações de respeito. O personagem principal, mesmo vindo de uma família tranquila, reage quando é provocado, como mostra o trecho “Num gosto de apanhar”, reforçando que o respeito é o que prevalece.
Festa e Centenário
Zedantas, carnaibano nato, viveu a música como poucos viveram e sendo um sertanejo e da terra da música, os munícipes resolveram homenageá-lo e dessa forma foi a produção anual de uma festa dedicada ao compositor.
A festa tem como objetivo principal levar toda a cultura de carnaíba através da música em praça pública, oficinas de música, dança, teatro e muito mais durante a semana com diversos artistas. É válido ressaltar que a festa não apenas impulsiona a questão cultural, mas também a parte educacional no que diz respeito ao trabalho com atividades sobre a música de composição de Zedantas nas escolas, visando englobar a questão artística e educativa.
A festividade tem apresentações culturais e artísticas, a exemplo da “Forronata” que é o desfile de sanfoneiros pelas principais ruas da cidade. Outras apresentações importantes são as de repentistas e poetas, espalhando de forma significativa a arte em cada pedaço da região.
Linha do tempo
1975
Origem da ideia
As professoras recém-formadas Margarida Pereira, Joana Darc Malaquias e Bernadete Patriota tiveram a ideia de fazer uma festa na Escola Estadual João Gomes dos Reis. Elas resolveram trabalhar músicas de Zedantas porque tinham o conhecimento de que ele nasceu na cidade. Através de uma carta, enviada por uma prima do compositor, as professoras conseguiram entrar em contato com Dona Iolanda, a viúva de Zedantas
1978
Inauguração do Busto de Zedantas


1993
Primeira festa
Sendo encabeçada pela igreja, Uma carta inspirada em Vozes da seca foi lida, denunciando a situação de abandono da região.
Até hoje, uma carta sobre a situação do município e do Sertão é lida. "Visitamos as cidades vizinhas para divulgar a festa. Nós nunca tivemos Zédantas como exclusivo de Carnaíba. Ele é do Pajeú, do Nordeste, do Brasil e do mundo, ele tem essa dimensão", avalia Margarida. "Ainda assim, temos muito orgulho. Mesmo sendo um homem da cidade grande, ele não desprezou as suas raízes e exaltou o nosso forró."
2025
Contemporâniedade
Anualmente com essa celebração — Com exceção de 2004 e 2020 — a festa de Zedantas tem temas destaques que se relacionam com as músicas do compositor. Nesse ano de 2025 foi realizada a 30° edição com o tema: A musicalidade das águas do Rio Pajeú, a caminho do mar, clama por socorro. Onde a música referente ao tema é Riacho do navio.










